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quarta-feira, 3 de março de 2010

O AGENTE DA DESIGUALDADE SOCIAL, “O PRÓPRIO INDIVÍDUO”

Um dos maiores motivos da desigualdade social no país é, sem dúvida, o desinteresse do próprio indivíduo enquanto cidadão. Desinteresses em relação ao conhecimento, à educação, à informação, etc. Temos visto e ouvido que o único veículo viável capaz de modificar um ser humano é a educação, que este, muitas vezes, não busca.
Não busca seus objetivos, não traça estratégias e nem caminhos para alcançá-los, como se um gênio da lâmpada mágica fosse aparecer e resolver todos os seus problemas ou educá-lo para toda sua existência. Talvez, então, viva a esperar algo milagroso acontecer e lhe tirar do estado em que se encontra e depois transformá-lo em um dos maiores intelectuais da sociedade.
Esquece que é dono da sua própria vida e assim deixa o seu corpo, alma e espírito desgovernados, não tem projetos de vida, não tem esperanças em um novo amanhecer, vive em função do acaso; caso ele não chegue, paciência. Quer tudo pronto, sem ter o trabalho de criar, modificar ou transformar, apenas quer ter em vez de ser, esquece que uma vitória vem através de muitas lutas, e quando... Às vezes é necessário lutar outras vezes. Tem a triste visão de sombra e água fresca; a sombra tem já a água fresca...
O indivíduo tem perdido a noção da vida, esquece que o único bem durável e incalculável que a vivência nos oferece é o conhecimento, a descoberta de novas experiências e o infindável universo do nosso ser. Ao contrário de tudo isso, temos e somos apenas indivíduos induzidos a viver um capitalismo selvagem, com espírito de predador ambulante que dita as regras da sociedade.
Perdeu-se o sentido da vida; repito, perdeu-se o sentido da vida.
O indivíduo vive no ápice da desilusão humana, quer atravessar o rio sem ter o esforço de passar pela ponte. Temos que ter um norte para caminhar, mas não podemos deixar que os modelos existenciais nos sirvam de muleta; caso aconteça, seremos apenas mais uns seguidores de uma doutrina e não agentes modificadores da nossa própria história.
Volto a acreditar que o grande vilão da desigualdade social é o “próprio indivíduo”, que insiste em esperar por milagres, gênios da lâmpada, conquistas sem luta, chegar no final sem ter iniciado, etc. Penso eu (como ser humano) todos nós somos membros de um só corpo que é a sociedade, e educá-la no século XXI continua a ser um desafio difícil para uma sociedade onde o próprio indivíduo é o agente transformador dela, mas o mesmo continua a dormir sonhando com seu mundinho colorido em meio aos pesadelos da vida real.


Odair José Silva de Araújo, Acadêmico do curso de Administração 1º semestre da Faculdade de Castanhal -FCAT